EU NÃO TENHO CINCO MINUTINHOS!

09jan07

A minha revolta contra os que pedem minha atenção – pra vender!

Se há um emprego nesse país que vem crescendo como um tsunâmi é o marketing (não vai em itálico – não é italiano…). Como vivemos no capitalismo, e as coisas não são fáceis pra ninguém, as estratégias empresariais para conquistar novos clientes são cada vez mais agressivas. Vejais:

  • de porta em porta: quem nunca abriu a porta da casa e encontrou um ser baixinho, um pouco acima do peso, com um penteado que tenta – em vão – esconder a calvície e que usa óculos redondos, tipo Harry Potter? “Bom dia, eu sou representante da Enciclopédia Tarrousse” — mostrando o crachá — “Posso entrar, serei breve”. Geralmente esses vendedores se chamam Sérgio ou Antônio e têm um tíquete-nervoso, o que nos faz pensar que suas intenções são outras, tá me entendendo? Quem mora em casa (não lá em casa!) sabe bem do que estou falando. Geralmente o pai da família nem abre a porta pra esse estranho. Geralmente nem o cara do IBGE entra na sua casa. “Quanta gente tem aí?” — “Porque você quer saber? Vou chamar a puliça!”

  • revendedora de cosméticos: essaí quem mora em apartamento também conhece. São donas-de-casa atrás de independência financeira ou desempregadas que topam algo provisório. É sempre uma prima do cunhado de uma vizinha da sua mãe, ou então uma amiga distante dela, aquelas de infância, que na verdade sua mãe nem se lembra, mas não quer deixar ela sengraça. Aí ele vê no crachá – sempre o crachá – da desconhecida: MELISSA. “Faz tanto tempo né, Melissa?”. Ela responde: “Sempre engraçada, você sabe que meu nome é Laura…” Nem preciso falar que o nome da empresa é Melissa Cosméticos. Laura não volta nunca mais. Em alguns casos, outras mulheres se interessam pela profissão e vira tudo uma máfia. Até sua mãe já tá vendendo os produtos da “melhor linha de cosméticos do mundo e adjacências”. 

  • pelo telefone: não, não é o samba do Donga. O telemárquetim é a vedete das empresas que gostam de espantar clientes em potencial. O perfil antropo-empírico-transcedental deste espécime é variado. A idade vai dos 8 aos 108, as religiões são muitas, os estados de origem e de saúde mentel também, os sexos são sortidos (?). É sempre um mistério o produto que eles tentam vender. Muitas vezes não sabemos se é um aparelho de enhoque, um livro do Tiriricaou um pedido de doação para um fundo de amparo às focas malabaristas de Bangladesh. Só 15min.78 depois, quando ele perde a respiração, você descobre que ele só quer vender um pedido de oração em até três vezes sem juros no Visa. Na época das eleições, uma senhora do gabinete de um candidato a deputado (cagada) federal ligou no meu tarbalho. Eu: “Desculpe, esse telefone é comercial”. Foi eleito. Não pelo meu voto.

  • na internet: pela rede é uma avalanche, e o que menos vem é peixe. Nesse meio o negócio é mais impessoal, não tem ninguém “ao vivo” se vendendo pra você (exceto em alguns casos, se é que me entende…). Porém, é pior. Sua caixa de entrada recebe oito emeios por dia oferecendo computadores, livros, roupas, relógios, lugar no Céu, cruzeiros marítimos a esse real terrestre que mal consegue ler seus comentários, quanto mais apagar seus emeios. No Orkut tem os espãs, que aparecem no meio dos seus recados ou na parte de mensagens, onde os malditos escolhem comunidades inteiras e mandam pra todos os membros linques falando do livro que estão lançando, do conto que publicaram, ou de um mísero blogue de título estrombólico. Ou um vírus. Estes eu evito: capa de plástico no CPU. Qualquer dia vamos ter empresas fazendo propaganda por MSN msm, mandando questionários reacionários, vendendo Deus e o Diabo na terra do Sol (mal, cinéfilos). Vai ser o inferno² (ao quadrado).
  • na rua: essa é a mais promissora modalidade. São aqueles que você nem conhece e te param na rua. Não são assaltantes, policiais nem repórteres, mas podem ser tão perigosos quanto eles. Essa profissão também é chamada de street aporrinhation, expressão sem tradução para o português. Trabalho no centro da cidade, e percebi que são nesses lugares que eles fazem a festa. A principal característica deles é a prancheta, a famigerada prancheta. É um símbolo subliminar, quando vemos a prancheta ficamos intimidados, temendo fazer qualquer atitude desagradável. Chegam pedindo um pouquinho do seu tempo e você, coração mole, cede, e ouve. Mal chavecam já queram nome e telefone. Aí eu recomendo “errar” um dígito que seja de seu telefone. Você ganha um folheto, e tudo volta ao normal. Problema é quando eles oferecem algum curso ou avaliação grátis. Já me ocorreu de uma moça me falar de um curso de inglês, eu fingindo interesse, daqui a pouco o prédio do curso ser do lado. “Desculpa, tenho que trabalhar. Mas tarde eu volto.” Ou outra vez, que um rapaz mais ou menos da minha idade me ofereceu uma avaliação odontológica grátis. “Tô sem tempo, pega meu telefone.” Celular desligado o resto do dia e a manhã seguinte. Mas tenho uma lembrança boa disso. Reencontrei um amigo da sexta série trabalhando nesse meio. Clínica odontológica. Aí tudo bem, dei o telefone, peguei o folheto. Amizade de seis anos atrás refeita. Mas ignorei a ligação.
Anúncios


2 Responses to “EU NÃO TENHO CINCO MINUTINHOS!”

  1. Oie^^
    Valeu pelo comentário…. O profisional mais chato da área de marketing que eu acho é a infeliz da telefonista, pq simplesmente ela não tem dia nem hora pra ligar e nunca entendem um não e o pior é que quando elas ligam e não tem a menor ideia do que vão falar ai começam a falar besteira por cima de besteira…. “Nossa operadora está com uma promoção, além de estarmos dando desconto para ligações para fora do país estamos dando desconto para ligações internacionais…” já escultou essa???? Eu já, kkkkkkkkkkkkk, morri foi de rir….

    Estão dizendo que marketing está em baixa por causa dessas novas leis que proibem o uso de outdoor, será verdade??? Espero que não pois pretendo trabalhar com publicidade…

    Bjos \o/

  2. uhaauhauahuahuahaha

    eu tb ja passei por isso
    ô raiva!


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: