Entidades afro da região discutem Saúde e Direito

13out07

Cerca de 60 entidades, entre órgãos públicos e centros religiosos, estiveram presentes na manhã de ontem no II Seminário Regional de Religiões de Matrizes Africanas. O encontro, que aconteceu no auditório da Companhia Piratininga de Força e Luz (CPFL), partiu das religiões afro-brasileiras para debater questões de Saúde e Direito.

Organizado pelo Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado de São Paulo, o encontro teve ainda o apoio da Secretaria Municipal de Assuntos Jurídicos, por meio de sua Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial e Étnica (Copire). O presidente da Coordenadoria, José Ricardo dos Santos, adepto do candomblé, ressaltou os problemas da questão da saúde nos terreiros, como a contaminação decorrente do sacrifício de animais, além da marginalização dos praticantes das religiões de origem africana. Salientou também que o trabalho da coordenadoria não se restringe somente ao negro: “Trabalhamos também com ciganos, judeus, muçulmanos e outros”.

Entre as organizações presentes estava o Conselho Municipal da Comunidade Negra de Santos, o mais antigo da Cidade. O vice-conselheiro, babalorixá Marcelo de Logun Nedé, afirma que a principal intenção do conselho é, por meio do diálogo junto à Prefeitura, estabelecer políticas públicas para a promoção da diversidade, a fim de acabar com a discriminação em relação ao negro. Ele alerta para as doenças exclusivas do afro-descendente, como a anemia falciforme, entre outras que, somente agora, ganharam evidência.

O primeiro painel teve como tema Religiões Afro-Brasileiras e Saúde, com o babalorixá Celso Ricardo de Oxaguian, coordenador da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde. Celso falou sobre a dificuldade dos sacerdotes e sacerdotisas ficarem em pé de igualdade com as outras religiões. “Queremos viver num Estado laico, democrático de direito”, disse. Lembrou dos anos 80, quando houve denúncias de casos de HIV em terreiros de umbanda. Ele explica que isso ocorria porque muitos que tinham a doença eram homossexuais, criminosos, que não eram aceitos nas outras religiões.

O babalorixá criticou também a intolerância religiosa, baseando-se em dados do IBGE: no Brasil, apenas 650 mil se declaram adeptos de religiões afro-brasileiras (em Salvador, 0,1%). Porém, estudiosos dessas religiões afirmam que quase um terço da população freqüenta um centro, pelo menos esporadicamente. Estes, na maioria das vezes, estão ligados a outras religiões. Além disso, falou da limitação da comunidade científica que, para ele, cuida apenas do doente. A religião, ao contrário, tem a necessidade de identificar e valorizar o outro, com toda a cultura e história que ele carrega. Ainda brincou com a dificuldade do pai-de-santo em “resolver alguns problemas que nem o jurídico resolve”.

Uma das pessoas que acompanhou o debate foi a artesã Jane Helena Silva Barbosa. Ela costuma participar de encontros como esse, que abordam a questão do negro. Na última semana, esteve em Campinas, onde houve a Semana da Consciência Negra. Nesses seminários, ela vende suas bonecas de deusas africanas, além de chaveiros e colares com temas africanos. Cada boneca simboliza um orixá. As que vestem tons de amarelo, são de Oxum, as de tons entre rosa e terra são de Iansã, e assim por diante.

O encontro seguiu com o painel Direitos e Deveres das Religiões de Matrizes Africanas, com o advogado Hédio Silva Júnior, coordenador executivo do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Diversidade (CEERT) e ex-secretário de Estado de Justiça e de Defesa da Cidadania de São Paulo. O evento foi uma preparação para o III Seminário Paulista da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde, que será realizado nos dias 19 e 20, em São Paulo. Em novembro ainda haverá o Seminário da Saúde da População Negra, que voltará a reunir os nove municípios da região.

Márcio Ribeiro Garoni

 

(Agência Facos, 07.10.07)

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PRA CÊIS VER…

O subtítulo dessa matéria poderia ser: A Redenção. Depois da última (que poderia ser a última mesmo), ter pautado, entrevistado, voltado à redação e escrito, além de ter submetido o texto ao aval do superior, posso me considerar um herói. Não posso?

O título da capa (sim, capa!) foi “60 entidades discutem saúde e religião afro”

Achei um site muito bacana enquanto procurava informações sobre esse encontro. É o Afropress, uma agência de notícias com uma proposta bem interessante.

O Zé Ricardo foi vizinho da gente, morou do lado de casa. Fiz as perguntas que precisava, ouvianotei as respostas, aí perguntei se ele tinha morado lá na 28 de Setembro, falei que era filho dos meus pais (não desse jeito, dei os nomes, claro). Aí ele me abraçou, riu, falou que viu eles namorando, que meu sorriso lembrava o da minha mãe, que ia ter o terceiro neto, mandou um abraço pros meus pais, me deu o cartão dele, falou que eu podia ligar…

Pessoas (desocupadas) há mais tempo freqüentadoras do Crônicas perceberam que é a segunda matéria com um tema afro-brasileiro. A primeira foi essaqui.

A matéria dos motéis deixou seqüelas irreparáveis: o babalorixá Celso falou que o sexo é um ato tão sagrado quanto a oração. Não me atrevi a citar no texto.

É amiguinhos, pelo menos as dúvidas jornalístico-existenciais se esvaíram. A vida de motéis, dia dos amantes e adjacências se foi.

VALE A PENA

No mesmo sabadão da redenção, assisti à peça “Como entrar mudo e sair calado”, do Marcelo Mansfield, Terça Insana e do Zorra. O cara é incrível. Vou mostrar um vídeo, mas ele sempre aperfeiçoa os quadros, um show nunca é igual ao outro.

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One Response to “Entidades afro da região discutem Saúde e Direito”

  1. é, esse aí ficou decente…
    mas pra vc ver, vai dar muito menos comentário do que o outro. :/

    ai ai, essa sociedade sexual.

    Decente…

    Minha auto-estima tá lá no teto pelo ‘decente’

    E eu sabia que não ia ter muito comentário mesmo. Aliás, muito obrigado por ter comentado.

    É que na outra eu me baseei no público do blogue para fazer a matéria. Viu no que deu.


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