Santos recomentada

05nov07

Plínio Marcos, em sua “Carta de recomendação“, dava dicas de Santos a quem pretendesse visitá-la. Não era um roteiro turístico.(*) O texto apenas apresentava alguns aspectos da Cidade que tanto o fascinavam. Mas vamos fazer diferente. Por aqui, a conversa será somente entre santistas.

O primeiro conselho do dramaturgo aos potenciais turistas era o “não se afobe”. Isso não se aplica ao santista nato, afobação é o que menos se vê por aqui. É até engraçada a maneira como explicamos, com a maior naturalidade, que para chegar à praia “é só entrar no canal e seguir até o fim”. Pretexto para, quase sempre, falarmos o que são os tais canais e esticarmos o papo pela madrugada.

Aliás, que madrugada tem a Cidade! Nas festas dos bacanas, na orla da praia; com os amigos, nos bares do Centro Histórico; no samba que resiste, na subida dos morros; nas boates e botecos dos becos do porto, onde marujos e caminhoneiros esquecem as agonias da vida… A maioria de nós, certamente, é filha dessas madrugadas santistas.

Mas é à tarde, quando Plínio recomenda ir à praia ver o pôr-do-sol, que sabemos do que ele fala. Tenha a idade que tiver, no momento do pôr-do-sol, o santista tem uma estranha nostalgia, numa cidade em que tudo muda a todo o tempo, mas que, na essência, continua a mesma. Como não mudaram as sextas de chuva e o sol dos sábados.

Apesar das mazelas que Santos possui (como o Brasil possui), não dá para abrir mão dessa cidade. Plínio afirma que “não será num mês, nem num ano, que você vai conhecer a bela ilha de Iemanjá”. Talvez não, Plínio. É preciso mais que uma vida para conhecer esta cidade. Outra graça e outro gosto de ser santista.

* no original, esse ponto era uma vírgula. Fessora corrigiu o que eu redigiu.
____________________________

• Texto entregue em 26/9, escrito sob encomenda. Aula de português, o desafio era fazer uma crônica sobre Santos. a maioria da classe, que não é daqui, fez meio a contragosto.
• Foi a primeira vez que eu escrevi alguma coisa sobre a minha cidade. Não é fácil, tenta fazer você, então.
• Plínio Marcos ajudou.
P.S.: Ah, tirei três, nota máxima!

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É, agora eu tô com essa graça.

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4 Responses to “Santos recomentada”

  1. 1 Camila Alvarez

    Oooi Márciooo, fui fuçando e acabei chegando aqui… rss
    Caraca… Sem palavras pra essa sua crônica….. Bateu de 10 a 0 na minha… hehehehehe
    Merecida nota!! Adorei o texto e concordo em número gênero e degrau sempre!! rss

    Bjoos

    Tem gente da Cidade que ainda lê essa página. Brigado Camila.
    10 a 0? Como eu vou comparar? Podia publicar a sua também.

  2. Muito boa a crônica, vinte a zero na minha (não Fiz), porque não sou de Santos, e não surgiu inspiração para fazer o texto no dia acabei não fazendo, por birra mesmo, tudo bem que no final quem vai se f…. sou eu não a profa.

    Parabéns!

    Bjundas

    Birrento, se f…

    Faz uma de Praia Grande, fresco.

  3. Ai…que saudades que eu tenho da praia, do cheiro de maresia…do pôr do sol na areia…Da boêmia do centro histórico…
    Às vezes me cansa esse céu cinza de São Paulo…mesmo com seus centros culturais, com a Vila Madalena e a Rua Augusta…

    beijo!

    Vida chata essa de uspiana, na capital… Tá, a praia faz diferença sim.

  4. Adorei, confesso que sou suspeita para falar sobre Santos, sendo assim resermos outro espaço para conversar e admirar este lugar tão belo acolhido pelo Brasil…

    Valeu, Jéssica, não sabia dessa sua ‘suspeição’.


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