E assim se fez a preguiça

28jun08
Um breve ensaio sobre o Ócio

Quem inventou o trabalho não tinha mais o que fazer
– sabedoria popular –

A preguiça é o ato de descansar antes de estar cansado
Sócrates, 57, mora aqui perto de casa –

Quando Deus chegou no sétimo dia e, cansado daquela trabalheira toda, decidiu descansar, inventou mais que o domingo e a tarde de domingo.

Naquele dia, paPai criou a preguiça, essencial à humanidade. Em todos os tempos.

Toda essa história de que o-trabalho-dignifica-o-homem, mente-vazia-oficina-do-diabo é pura baboseira. Bullshit. Quem prega isso quer nos ver sem aquilo que nos diferencia dos outros animais estúpidos: a contemplação, que só os momentos de ócio permitem.

Os gregos é que eram sábios. Valorizavam muito a vagabundagem contemplação. Pitágoras, por exemplo, ficava horas coçando (a barba), e até hoje é um cara badalado. Claro que fez uma cagada ou outra, como o Teorema de Pitágoras (e todo o resto relacionado à matemática), mas é inegável que tenha sido um dos mais preguiçosos da História.

Pra ficar com um modelo nacional, temos o símbolo maior do brasileiro, o herói de nossa gente. Se você não se lembra, a primeira frase de Macunaíma foi “Ai, que preguiça!”. Não tem nada mais emblemático. Quem já prestou vestibular sabe. Aliás, ano de vestibular dá uma preguiça…

Uns tempos atrás, eu até ficava meio dáun depois de passar o domingo inteiro de bobeira, enquanto tinha trabalho para fazer, coisas para arrumar, livros e revistas para ler, etc etc. Mas não me decepciono mais.

Que vantagem é ter os livros organizados em ordem alfabética? Pior, no mesmo lugar? De que adianta ter as roupas arrumadas no armário e, mais estranho ainda, dobradas? Esse tempo eu gasto fazendo o que mais gosto: nada.

Ou quase isso, porque também é bom:

  1. zapear a tevê por duas horas, sem escolher absolutamente nada para assistir;
  2. jogar guitarriro, ou uínin-gueleven;
  3. ver os vídeos mais bizarros do yutube;
  4. ficar na janela;
  5. dormir (se bem que, acordando cedo, a gente tem mais tempo para não fazer nada).

Enfim, poderia até me estender mais nesta reflexão vagabo-filosófica. Mas não é necessário, você é inteligente, sacou a mensagem.

Além do mais, assim como escrever tudo isso, ler este texto deve ter dado uma preguiça…

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5 Responses to “E assim se fez a preguiça”

  1. Dizem por aí que blogar é coisa de quem não tem o que fazer. Dá uma preguiça explicar. Boa semana!

    É verdade.

    O pior é que ainda tem quem lê – e comenta.

  2. Adoroooo Macunaíma, o filme, que o livro mesmo, ainda tenho preguiça de ler…
    Porém, não ha coisa melhor e mais produtiva do que aquela boa e velha preguiça, ain ain…
    E viva a preguiça \o/
    Beijão :]

    Vença essa preguiça e leia o livro!
    Depois pode voltar ao ócio.
    (Não é à toa que se chama Lazy… )

  3. Viva a preguiça! Nas férias, eu faço questao de acordar às 6h00 para ficar mais tempo embaçando, hehehe.

    Muito bom o texto, apesar do enorme trabalho de ler tudo isso… Affff!

    Todos temos que assumir nosso lado devagar-quase-parando. Lembra da história da tartaruga e da lebre? Disso que eu falo.

  4. Mto bom…a q preguiça. tá bom o comentário?

    Não podia esperar coisa melhor de você.

  5. Acho que antes de pensarmos em que seria um tempo de consciência pós morte deveríamos tentar entender o que é realmente morte.

    Considerando que morte é ausência de vontade (como a considero) posso te dizer que tais momentos de consciência não nos apresentam novidade alguma, não revelam qualquer segredo. Talvez só depois da consciência é que descubramos o que há de oculto. Será?

    De qualquer modo, acidentes domésticos, que acontecem em casa, são realmente um perigo! 🙂

    Na verdade se tivesse me acontecido nada ainda assim teria me acontecido alguma coisa, pois o nada é.

    Ah, seu texto sobre a preguiça se encaixa perfeitamente nestes dias macilentos de férias. Tive que vencer a preguiça pra responder seu comentário, aliás. Mas sei lá, já estou com preguiça de ter preguiça … aí fica difícil…

    Gostei do blog.

    Até mais!

    O que eu tenho me perguntado é se esses últimos momentos de consciência não são, eles mesmos, a eternidade, o oculto. Know what I mean?

    Mas também não tô muito afim de descobrir o que há depois da morte. Ainda não.

    De qualquer jeito, alguma coisa sempre acontece. E isso é tudo.

    E esse negócio de férias é relativo. A gente sempre arranja mais o que fazer e acaba dormindo sempre mais tarde. Aliás, é o que estou prestes a fazer: dormir mais tarde.

    Ah, tinha esquecido: o universo está em expansão. Então, cada dia fica mais longe pra eu chegar até o banheiro, e daí pra sala, e pro trabalho, etc. Então, não é por preguiça que eu me atraso. Nem é o motivo da demora na atualização deste blogue. É a pura lei do universo.


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