A dignidade no lugar do dinheiro

16ago08

Um caminhoneiro casado, pai de cinco filhos, uma doente, encontra R$ 17 mil na rua. Com um número de telefone junto com o dinheiro, ele encontra o dono e devolve a ele o dinheiro. Valdir está em Cubatão e fala em entrevista ao Acontece.

Não é um roteiro de cinema, é uma história real acontecida no início deste ano. Está em Cubatão Valdir Costa dos Santos, de 46 anos, o curitibano que no dia 10 de janeiro ficou conhecido em todo o Brasil por ter devolvido R$ 17 mil ao engenheiro agrônomo José Carlos de Oliveira. Foi na cidade de Promissão, no interior de São Paulo. O caminhoneiro fazia uma viagem a São José do Rio Preto e parou em Promissão para tomar um café. “Eu não tinha dinheiro para um lanche porque deixei os R$ 200,00 da diária em casa, para o tratamento da minha filha, que é doente”. Estacionou o caminhão do lado de uma Pajero. Quando saiu, a Pajero não estava mais lá, e na vaga havia um pochete. Entrou no caminhão, abriu a pochete e viu a grande quantidade de dinheiro.

José Carlos de Oliveira, morador de Lins (SP) tinha ido à lanchonete com a mulher e os filhos. O dinheiro era para a compra de gado. No dia seguinte, seu irmão havia recebido uma ligação de um homem que dizia estar com o dinheiro. No outro dia, o caminhoneiro Valdir se encontrava com o agrônomo e sua família na porta da fábrica da Coca-Cola, em São José do Rio Preto. José Carlos chegou a perguntar quanto ele queria de recompensa, mas Valdir só aceitou uma coisa: “Eu pedi que ele orasse por mim e por minha família. Não queria mais nada.”

O acontecimento trouxe mudanças para Valdir. Ele deixou de ser caminhoneiro para ser instrutor de trânsito na mesma empresa. Hoje ele treina novos condutores, ensinando rotas, contando alguns segredos da profissão. Mas continua grandes períodos sem ver a família, como nesta semana, em que se encontra em Cubatão. Com uma renda de R$ 1200,00 por mês, ainda passa dificuldades para pagar as contas, ainda mais com a filha doente. “Mês retrasado gastei mais de R$ 800,00 com o tratamento dela, que tem fortes dores de cabeça. Fora a prestação da casa”, diz Valdir. A doença da sua filha ainda não foi diagnosticada.

Com os R$ 17 mil, Valdir poderia resolver muitos problemas, mas preferiu fazer o que achava certo. Como aos nove anos, quando uma vizinha da família perdeu a bolsa com uma boa quantia em dinheiro, que Valdir também devolveu à dona. Hoje, com cinco filhos, o melhor era dar o exemplo. “Como eu poderia exigir que meus filhos fizessem o certo se eu mesmo não fizesse?”, encerra o ex-caminhoneiro.

Jornal Acontece, 13 de agosto de 2008

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Mudando de assunto, me explica como alguém abandona um bebê como esse:

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2 Responses to “A dignidade no lugar do dinheiro”

  1. não se trata de dignidade, meu caro
    é que curitibano é assim mesmo …
    não fica nem com dinheiro de estranhos
    ha ha

    bacana! sorte pour toi no novo estágio!

    Tá bom. Você é a especialista no assunto.


  1. 1 Dedicados

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