chegadas

11jul16

quero cair numa armadilha
docemente preparada
começar sem saber aonde ir
derrubando paredes a marretadas
sem desculpas ou lugares comuns
britadeira no peito, respiro fundo
quando todo ébrio movimento se calcula
engulo seco
sede e medo
encaro porta que abre e me arrepia
corri, já que sou dos impulsos
e de fomes sem fim

(mais uma confissão:)
quando parto a escrever
sinto que antes preciso viver mais

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descaminho

01jul16

se espera um sinal
com disposição de ursos no inverno
atenções não obedecem prioridades
ganha-se no grito
quando não intimida
se analisa cada mensagem
golpe certo ou acaso
subjetivo infinito
hoje chove sem parar nessa cidade
por um segundo acreditei no que queria
o embalo de um trem sem parada é passado
pelo trajeto, reticente
sem ponto final definido

são luís, 10/6/16


chegou

01jun16

olha lá olha lá quem vem rapidinho tão rápido tá correndo vindo vindo depressa ele sabe o que faz é claro que sabe o que faz estamos vendo lá vem com tanta vontade e velocidade, ele chega e aparece total é uma grande pessoa linda que presença ela vem está aqui e parece que vai destruir tudo é muito mais do que a gente esperava é sim e agora o que fazemos queremos correr queremos morrer meu deus chegou ela está aqui nos olhando veio e fez é um desespero uma loucura vamos logo que isso é horrível o que deu na nossa cabeça olhem isso ela está aqui e é tão maravilhoso veja veja isso socorro


ainda não

30maio16

quis ser vários, infinitos
acordo tarde, lavo a cara, faço café
as roupas, coisas, cama
espelho: inverso, todo
dias inteiros distraídos
olhando celular,ouvindo a tevê
esperando o big bang
pro mundo se refazer
sem ninguém estar pronto


cotidiano

10maio16

empilho tudo que não fiz
exposições, filmes
tardes vinho por do sol
um sopro
lamentos, a perda do controle
sombra do que foi
os erros que sobram
tão pobres memórias
as mesmas mentiras contadas e ouvidas
o melhor dos dias é quando terminam
: problema
tudo pra amanhã, ou depois
uma vida inteira pela frente, enquanto esperam
urgências primeiro
voltei no bar do lado da boate
peguei uma coca, paguei
porque pensei ter visto o belchior
o cabelo o bigode
os sonhos o sangue
às vezes ainda vem aquele arrepio
o difícil é ainda subir na corda bamba
quando se está vacinado


mudo cinema

24abr16

solidões compartilhadas em telas
redes capturam engolem
crimes perfeitos existem?
morte existe?
tantas fotos, sorrisos, curtidas?
buraco de fechadura
distâncias, permanências
fortalezas
peixoto gomide augusta peixoto gomide
promessas de até breves nunca cumpridas
distâncias, silêncios
filmes
palavras
jovem, na imagem ainda sorria
como a irmã um dia me fez
quase tão desconhecida quanto
tanto não dito
a gente se distrai com a vida e nunca se toca
um dia será


sala de espera

05abr16

pacote a cem por cento dos dados
no sus uso o rascunho que é mais seguro
o homem, desmaiando, insiste em sentar na cadeira sem encosto
pulseiras de cores diferentes
tem outro, puto, que bate em protesto passando mal
meu pau dói
máscaras da gripe
ficção científica ou o metrô do japão
o bêbado barbudo deita, quer dormir de qualquer jeito
a segurança passa e briga, ameaça
moça de calça florida carrega o celular pra discutir com o namorado desconfiado
– então é melhor a gente terminar
tudo ainda parece manso
e a gente tão perto da morte
esperando
leio em livro uma crônica que tinha visto há uns tempos
publicada 7 minutos antes no facebook
fico feliz pelo urso que mal conheço
grande e velho amigo



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