Posts Tagged ‘conto’

O meio do fim

08nov16

Desperto do sono e olho o celular. 21:38. Sonhava com música tocando, cinco segundos mais e da janela vem o som: são gritos e bombas. Trinta e um de agosto, uma data pra história, e ela acontece também aqui, doze andares abaixo, em um prédio entre o Minhocão, a Consolação e a São João. Os […]


Banho de mar

09jun12

*Publicado na coletânea Santos Revisitada (2011), do selo editorial artesanal Estação Catadora, do Ponto de Cultura Estação da Cidadania e Cultura de Santos. Organização de Alessandro Atanes. (À Mari) É sexta-feira. No jornal leio uma nota, sobre um show à noite. Heitor Mário e sua banda, no Internacional. Blues e rock and roll, que há […]


A Gordinha atravessava a avenida na tarde ensolarada. Passou na frente do Homem que Levava a Carroça de Recicláveis. Fascinado, ele secava com os olhos a mulher que, no vestidinho vermelho que realçava suas carnes, fingia não perceber. No canteiro central, porém, começou a gostar dos olhares tarados que a lançava o Homem que Levava […]


Tinha 25 anos e, desde adolescente, tinha uma estranha mania. quando tinha dúvidas de algo que acontecia em sua vida, pegava um caderno velho e escrevia o que tinha se passado. Na maioria das vezes, esticava essas narrativas até o dia seguinte, para reforçar as atitudes que fatalmente iria tomar. O método nunca falhava: tudo […]


Déjà vu

21jun09

– Mais alguma coisa? Se não fosse pela pergunta, eu não perceberia que tinha mudado a mulher que empacotava o pão. Também, com aquele avental bege e touca na mesma cor, qualquer mulher pareceria a mesma. E do jeito que sou atento, às vezes não diferencio nem Pelé de Xuxa. Mas a mulher da padaria […]


Bem assim mesmo

21abr09

– Desculpa, mas é assim que eu sou. Serve pra você? Ali se acabavam as brincadeiras. Tudo o que poderiam dizer de inofensivo teve fim. Dali em diante, qualquer pensamento, intenção, gesto, palavra e atitude passariam a ter outro significado, que só os dois conheceriam. Conheceriam? Ainda tinham dúvidas, mesmo com a convicção que ele […]


Mas o dia

24mar09

– … mas você lembra de tanta coisa, como você consegue? – Cultura inútil. – Mesmo assim. Nem isso eu consigo. Ficaram calados. Era a vez dele falar, mas nunca soube responder a elogios. Ainda mais a esse, tão estranho, que não cabe nem um “obrigado” que seja. Além disso, agradecer também não era seu […]