Les Mimes

03Out09

Curta “Tour Eiffel”, de Sylvain Chomet.

Faz parte do filme Paris, te Amo (Paris, Je T’Aime, 2006). Vale a pena.


Tinha 25 anos e, desde adolescente, tinha uma estranha mania. quando tinha dúvidas de algo que acontecia em sua vida, pegava um caderno velho e escrevia o que tinha se passado. Na maioria das vezes, esticava essas narrativas até o dia seguinte, para reforçar as atitudes que fatalmente iria tomar. O método nunca falhava: tudo acontecia como previsto e escrito.

Geralmente eram coisas triviais, como aos 17 anos, quando, no aniversário de uma grande amiga, deixou escapar uma confidência amorosa da garota – na frente do rapaz desejado. Só quando chegou em casa percebeu que algo estranho havia acontecido. Escreveu, escreveu, e descobriu o que tinha feito. “No outro dia, desculpou-se com a amiga, levando um segundo presente de aniversário”. Escrito e feito. Ou aos 22, quando decidiu, com a ajuda de tinta e papel, passar as férias em Fortaleza, apenas com a mochila como companheira.

Apesar desse hábito – talvez por causa dele -, sempre levou uma vida razoavelmente normal. Até aquele dia, aos 25. Acordada de um pesadelo, que mal conseguia lembrar, sentiu a necessidade de ir mais fundo na própria vida: estava disposta a escrever, ano a ano, os acontecimentos mais marcantes de sua existência. Compilaria em fartas páginas as mais fortes lembranças, desde as grandes glórias aos retumbantes fracassos. Não esconderia nada, mesmo o que evitara escrever antes.

Começou em casa, à noite. Viu que naquele ritmo não conseguiria dar conta, e passou a levar o caderno para o trabalho. Já não se concentrava mais no escritório, e pediu demissão para seguir seu objetivo. Parou de sair. Terminou com o namorado, que até desconfiava de outro homem na jogada. Parou de atender os telefonemas das amigas. Deixou de entrar na internet.

Depois, decidiu parar de comer. Viva só para o que viveu. Envelhecia à frente de quem a visse, se tivessem a visitado. Envelhecia a cada linha. Com caneta na mão e papéis em branco, lembrava de tudo, mas esqueceu todo o resto.

Até que chegou ao presente. Tomou consciência de si. Mas já era tarde. E fim.

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De volta, de novo. Com um texto de gaveta, esboçado ano passado.

Mais uma novidade: texto Uma vitrola que toca letras, postpagapau pra Talita, do Vinil, feito para a faculdade. Sabe como é, a gente apela quando precisa de nota.

Fora isso, atualizações no flíquer e no tuíter.


Infância

30Ago09

- Vamos ali comigo.

Aquela manhã tinha um sol incrível, do tipo que reserva grandes surpresas. Boas e doces surpresas. Claro que na época eu não entendia nada de sóis e surpresas, mas sabia que alguma coisa estava para acontecer.

Ainda mais depois do convite dela. Tínhamos o quê, uns 4, 5 anos? Por aí. Mas aquelas palavras sugeriam o que bem mais tarde eu descobriria – e até hoje não sei o porquê: elas são mais amadurecidas do que nós.

Era a hora do recreio, estava brincando de qualquer coisa com os amigos, todos naquele uniforme certinho. Camiseta hering branca, bermuda azul, meia e tênis, para eles e para elas. As fotos da época já não me dizem nada sobre ninguém. Hoje posso ver um ou outro rosto familiar por aí, mas nada suficiente para um olhar mais demorado, muito menos um olá.

E com um rosto igualmente esquecido, ali estava ela, me chamando para acompanhá-la até atrás da casa de bonecas, como a gente chamava a casinha de brinquedos que ficava no pátio, a céu aberto.

- Tá bom.

Não entendi o que queria, mas interrompi a brincadeira e fui.

Segui atrás da boneca. Camiseta hering e bermuda azul. Como eu, com a diferença do rabo-de-cavalo. Dela, que fique claro. Dois soldadinhos no quartel. Atrás da casinha, como combinado. O sol na minha cara. Ela ali, parada, a dois passos de mim.

- Que foi, Ana? – que pode ter sido Paula, Carol, Bianca…

Ela respondeu vindo. Pegou meu braço esquerdo para se apoiar, me deu um beijo curto. Passou por mim e correu.

Tocava o sinal, anunciando que era hora de voltar para a classe, e que a infância ainda tinha muito a mostrar em dias de sol como aquele.

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Vídeo: João e Maria – Chico Buarque e Nara Leão cantando. Upload de suuurreal


Flickr

19Jul09

This is a test post from flickr, a fancy photo sharing thing.

Venho por meio desta lhes dizer, meus caros, que tá complicado. Tá muito complicado de postar por aqui. Mas semana que vem, quem sabe, aparece novidade.

Por enquanto, saibam que agora eu tenho um perfil no Flickr. A fina-flor de toda a bosta da minha produção fotográfica está ali. Portanto… visite!

Mas agora me deem licença que eu tenho um TCC pra fazer.


Queria

07Jul09

Queria um dia te escrever uma carta. Queria te escrever como tudo aconteceu, desde o primeiro oi até o último tchau. Desde o primeiro tchau até o próximo oi. Mas seria desnecessário, você estava lá também.

Queria te falar como eu me senti naquele dia, quando te disse aquilo, e de como eu recebi sa resposta, tão natural e incrível que até hoje me faz pensar que foi uma armação, inventada por algum cineasta dos anos 60, e tão bem executada por doism amadores. Mas não precisaria, você estava lá.

Queria que você soubesse do tanto de coisas que eu imagino quando você não está perto. Aliás, quando você não está perto, parece que tudo acontece. As horas correm, nuvens chovem, as rádios tocam toda a programação. Palavras inúteis, o mesmo acontece contigo.

Te contaria até que, por sua culpa, há momentos em que eu tenho certeza de que sou o homem mais feliz do mundo, depois de das ou três palavras suas. E que, na mesma intensidade, me sinto o mais infeliz, por não poder te ter do jeito que bem queria. Mas você bem sabe disso.

Na verdade, só quero te olhar no olho e te dizer.

Só quero te olhar no olho, e não dizer.

queria